Modelo para simular depressão:
"O teste do nado forçado é um dos modelos mais tradicionais para o estudo da depressão em animais de laboratório, por apresentar alto valor preditivo devido à resposta aos medicamentos antidepressivos existentes. Proposto por Porsolt e colaboradores, em 1977, roedores são expostos a uma situação aversiva, nadar em um tanque cilíndrico com água, onde eles não podem tocar o fundo do cilindro ou fugir (escape). Com o tempo os animais percebem que não tem como sair do local e desenvolvem uma postura de imobilidade. O teste é filmado e avaliam-se os períodos de imobilidade e natação (Figura 4)."
Fonte: Transtornos Depressivos: Uma Primeira Abordagem. INeC - Institudo de Neurociências e Comportamento.
Há um indício marcante, evento que antecede a grande maioria dos "transtornos" definidos e descritos pelo DSM-IV, ou seja, episódios semelhantes a uma condição "inescapável", similar à situação descrita acima no "nado forçado".
Toda situação (percebida ou não) que interfere na homeostase de um organismo vivo, seja ela vantagem ou ameaça, dispara o SISTEMA DE DEFESA MAIOR (stress), hoje amplamente aceito como "socialmente" necessário, inevitável e até vantajoso.
Desde a década de 1930, quando Hans Selye "trouxe" para dentro dos círculos acadêmicos o conceito de stress, não há na literatura nem no senso comum (conhecimento validado, todavia não academicamente) a compreensão de que os eventos desencadeados em um organismo pelo SISTEMA DE DEFESA MAIOR (stress), por serem tão abrangentes e na direção de preparar o organismo para se recuperar de uma grave injúria, EVENTUALMENTE EVITÁVEL, de que parece não ser destinado para ser ativado por "situações insignificantes" ou "banais".
Ou seja, um exemplo simples e didático da função e necessidade do stress seria semelhante a uma situação de presa conseguindo, na iminência de sua execução, escapar do predador. Após esta situação (escape inevitável, porém possível) o SISTEMA DE DEFESA MAIOR "stress" atua amplamente no organismo promovendo um possível restabelecimento. De outra maneira, longos períodos sem conseguir uma presa, ou seja, períodos sem alimento e consequente fome, situação bastante comum em ambiente não humano, só são suportados e ultrapassados pelo SISTEMA DE DEFESA MAIOR (stress).
Organismos ancestrais de nossa espécie, no pós-agricultura, deixaram a condição natural e ecológica, a que todas as outras espécies (não vinculada a nossa) do planeta continuam adaptadas, desvinculando-se da condição de existência em bandos pequenos (por volta de 200 organismos) e unidos por motivos de sobrevivência e transmissão do DNA, para tribos maiores e não mais vinculadas NEM à sobrevivência NEM, à transmissão de DNA. Porém, não foram "inteligentes" o suficiente para desativar os genes que promovem o SISTEMA DE DEFESA MAIOR (stress).
Inimaginável e até agressivo compreender ou aceitar que este sistema pode ser hoje ativado pela não obtenção de um objetivo "sonhado" e muito desejado, porém não atingível, como a impossibilidade, por exemplo, de compra de um automóvel.
A "vitoriosa" e fantástica civilização e produção humana evoluiu, sim. Os organismos que dão estrura e suporte a esta evolução, não. Daí, o desencontro e dramático desfecho do DSM.
Psicologia e Psiquiatria estudam os efeitos da inadequação da CULTURA sobre os organismos humanos. Poderiam, ao invés disso, partir do estudo e compreensão de organismos humanos em seu habitat natural (ou seja, para o qual o DNA pré-histórico ainda os prepara).
Cultura e produção humana EVOLUÍRAM. Os genes do DNA humano relacionados as bases de defesa do organismo, não.
Os organismos humanos vivos hoje são obrigados a se adaptar à cultura e produção humana para a qual as bases de defesa de seu DNA não os preparou, neste curto período de aproximadamente 10 ou 15 mil anos.
A história de um organismo humano vivo (a qual aprendemos a denominar "vida") não deveria ser confundida com a história da VIDA do DNA humano.
Transtornos "mentais" seriam mais bem explicados por uma incompatibilidade entre as bases de defesa dos organismos humanos vivos e a inevitável subjugação dos organismos à cultura humana predominante.
De fato, o terminologia mais apropriada poderia ser TRANSTORNOS CULTURAIS ou de CIVILIZAÇÃO.
E, consequentemente, a terminologia do DSM poderia ser atualizada para DSC, ou seja, em português:
Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações de Civilização.

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