A essência da psicose

"Quando alguém nos conta uma história realista dependendo da confiança que temos nessa pessoa acreditaremos na história. Na medida em que constatamos indícios de que a história é falsa começamos a pensar que nosso amigo se enganou ou que no fundo não era tão confiável assim. Nesse evento o que se passou? Primeiro, um fato é admitido como verdadeiro, depois novos conhecimentos ligados ao primeiro são adquiridos, por fim a confrontação dos fatos permite a verificação de uma discordância. Do raciocínio lógico surgiu um questionamento. Essa forma de proceder provavelmente é exercida diariamente por todos nós. A forma de conduzir idéias confrontando-as com os fatos é uma maneira de estabelecer o contato com a realidade. O que aconteceria se essa função mental não pudesse mais ser executada? Estaríamos diante de um estado psicótico!

Pois bem, o aspecto central da psicose é a perda do contato com a realidade..." Trecho transcrito de Psicosite (Dr. Rodrigo Marot).


Mas o que é "realidade"? Quem valida a realidade? A quem serve a realidade (à espécie humana ou aos produtos por ela criados)?

Realidade em si não existe (não tem vida própria). É construída e validada lenta e gradualmente, através da linguagem, principalmente a verbal, sobre as bases de defesa dos organismos humanos vivos, desde seu nascimento,  "cabeça a cabeça". A realidade não está escrita no código genético, DNA, da espécie Homo sapiens sapiens. O raciocínio lógico e a "realidade" e a correta ou "incorreta" percepção dela não é um indicador de organismo saudável.